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Notícias › 14/09/2021

Diálogo Entre Empresários E Bispos – Dom Dimas Fala Sobre A Economia De Francisco

Na manhã deste sábado (10/09) realizou-se, de forma virtual, o 13º Encontro de Diálogo entre Bispos  e Empresários, promovido pela Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas – ADCE Uniapac Brasil.

O Encontro foi aberto pelo Cardeal Dom Odilo Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, que conduziu o momento orante e apresentou breve reflexão baseada no Encontro Internacional do Papa Francisco com os Jovens, de 19 a 21 de novembro de 2020. Uma Nova Cultura. Leia mais: precisamos-de-uma-mudanca

Após o momento de reflexão, pronunciaram-se Dom Walmor de Oliveira Azevedo, Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e Dom João Justino, Arcebispo Metropolitano de Montes Claros e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e Educação.

O primeiro painel teve a participação de Dom Dimas Lara Barbosa que apresentou alguns fundamentos do pensamento do Papa Francisco e da Doutrina Social da Igreja, sobre a Economia. Destacou a centralidade do trabalho humano nas encíclicas Rerum Novarum (Leão XII), Populorum Progressio (Paulo VI), Solicitude Rei Socialis e Laborem Excersen (J.Paulo II) e a continuidade deste assunto também nos documentos Evangelii Gaudium, Laudato Si (a interrelação existente entre o meio ambiente com a sociedade, a economia, a política, cultura para promover a Ecologia Integral), Fratelli Tutti (repensar o modelo econômico global, encorajando a arriscar um novo caminho, que certamente terá equívocos, mas estes serão aos poucos corrigidos e assim um novo modelo poderá ser construído, uma economia mais humana, cada vez menos baseada na lógica do descarte.) Destacou a urgente tarefa de pensar uma nova teoria econômica e uma nova práxis produtiva.

A dignidade das pessoas deve ser considerada como critério hermenêutico, ou seja, critério de interpretação da vida em sociedade e por isso parâmetro para um modelo econômico. Em síntese, a Igreja pronuncia-se sobre economia por fidelidade ao Mistério da Encarnação. O Verbo se fez carne e habitou entre nós. Por isso, todo humano é caminho da Igreja e não existe condição/realidade humana que fique à margem da redenção cristã. A cultura do descarte fere a dignidade do ser humano, assumido e redimido por Cristo. Urgente também é a necessidade de ajuste ético e jurídico para as regras do mercado. Sobre as desigualdades e violências, relembrou o documento  Evangelii Gaudium, em seu número 59:

“Hoje, em muitas partes, reclama-se maior segurança. Mas, enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos será impossível desarraigar a violência. Acusam-se da violência os pobres e as populações mais pobres, mas, sem igualdade de oportunidades, as várias formas de agressão e de guerra encontrarão um terreno fértil que, mais cedo ou mais tarde, há de provocar a explosão. Quando a sociedade – local, nacional ou mundial – abandona na periferia uma parte de si mesma, não há programas políticos, nem forças da ordem ou serviços secretos que possam garantir indefinidamente a tranquilidade. Isto não acontece apenas porque a desigualdade social provoca a reação violenta de quantos são excluídos do sistema, mas porque o sistema social e económico é injusto na sua raiz.

Assim como o bem tende a difundir-se, assim também o mal consentido, que é a injustiça, tende a expandir a sua força nociva e a minar, silenciosamente, as bases de qualquer sistema político e social, por mais sólido que pareça. Se cada ação tem consequências, um mal embrenhado nas estruturas duma sociedade sempre contém um potencial de dissolução e de morte. É o mal cristalizado nas estruturas sociais injustas, a partir do qual não podemos esperar um futuro melhor. Estamos longe do chamado «fim da história», já que as condições dum desenvolvimento sustentável e pacífico ainda não estão adequadamente implantadas e realizadas”.


Fonte: Arquidiocese de Campo Grande – MS 

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