Missão Franciscana do MT e MS

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Artigos › 17/09/2025

IMPRESSÃO DAS CHAGAS: UM SINAL DE ESPERANÇA E UM CAMINHO PARA A VIDA

 

Fr. Matheus Pereira Sanches, OFM.
“E o Senhor me conduziu entre eles, e eu fiz misericórdia com eles”
(Testamento de São Francisco).

      Aproveito a celebração da Impressão das Chagas de São Francisco, para partilhar um pouco
do que a experiência na Fraternidade do Hospital São Julião em Campo Grande – MS tem me feito
perceber, principalmente no contato com os irmãos enfermos, com a comunidade local, com as
pessoas atendidas pelo Núcleo de Psicologia do Centro de Saúde São Francisco e com os frades.
Os sinais que o Serafim Crucificado imprimiu em Francisco de Assis quando ele estava no
Alverne, são prodigiosos e divinos, e também profundamente humanos, pois são fruto e prêmio do
caminho de conversão e penitência por ele trilhado e vivido. Retornado ao início de sua conversão,
quando o Espírito do Senhor o conduz para fazer misericórdia com os leprosos, ele se depara com a
mais pútrida e vil imagem da vulnerabilidade humana presente naqueles homens e mulheres,
chagados, pobres, e enfermos, que viviam como mortos cambaleantes esperando a hora de
finalmente tombar.
Ao se deparar com essa dura realidade, Francisco percebe aos poucos que esse horror todo,
exposto em carne viva, nada mais é que suas próprias feridas que ele tenta negar e esconder. Deste
modo, ele já não difere em nada dos leprosos com os quais vive, e ao fazer com eles a experiência
do Cristo, pobre, humilde e crucificado, é então definitivamente e inteiramente marcado pelos sinais
da paixão do Senhor, até que um dia estes sinais lhe irrompem na carne.
Da mesma forma que as dores dos irmãos levam Francisco a reconhecer as suas dores e a
fazer comunhão com as dores de Cristo em sua paixão, de igual forma, a experiência que tenho
vivido me revela que as chagas de Cristo e de Francisco devem nos levar a ver no outro que sofre, a
sua humanidade que irrompe além da dor, do sofrimento, do horror e da vulnerabilidade em suas
mais variadas formas. E mais do que isso! Essas feridas devem nos levar a reconhecer nossas
próprias feridas, tantas vezes negligenciadas, negadas e esquecidas. E nos fazer lembrar que somos
humanos, pequenos, vulneráveis, incoerentes, chagados, enfermos, vis e pecadores, e que
necessitamos da misericórdia de Deus.
Assim, pelos méritos da misericórdia infinita que vem do Altíssimo Pai celestial, ainda que
sejamos pecadores e imperfeitos, ainda que nós, nossas fraternidades e instituições, estejamos
enfermos, chagados e feridos, em nossa vida, há de irromper pela graça, sinais de salvação para um
mundo que sofre. Em meio a tantas guerras e divisões, se olharmos com coragem as misérias que
temos, e a vulnerabilidade que nos constitui, se formos diante da cruz de Cristo, um dia de cada vez,
um pouco mais verdadeiramente irmãos e menores, veremos surgir além da dor, da solidão e da
morte, assim com Francisco no Alverne, e com o Cristo no Calvário, sinais abundantes de vida

Como Cristãos, franciscanos, e frades, seja uma só a nossa certeza: Podemos e devemos,
ainda que pequenos e vulneráveis, caminhar como irmãos e menores, peregrinos e forasteiros,
firmes na esperança, pois Cristo está vivo e ressuscitado no meio de nós. E com a criação toda, nós
cantamos os seus louvores, pois é Ele quem nos leva, da cruz à glória inenarrável de sua
ressurreição.

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