![]()
Cardeal Pietro Parolin em Assis
Matheus Macedo – Vatican News
A atualidade de São Francisco de Assis e os desafios do mundo contemporâneo estão no centro da entrevista concedida pelo cardeal secretário de Estado Pietro Parolin ao frei Giulio Cesareo, diretor do Escritório de Comunicação do Sacro Convento de Assis.
A conversa foi publicada, nesta quarta-feira (01/04), no podcast “Parole povere”, no canal do YouTube San Francesco d’Assisi, e realizada após a Missa presidida por Parolin, no último dia 15 de março, na Basílica Superior de Assis, por ocasião da exposição extraordinária dos restos mortais do santo, no contexto dos 800 anos de sua morte.
Ao refletir sobre o significado de São Francisco para a Igreja e para a humanidade, o cardeal destacou que todos os santos são, de modo geral, um dom e uma resposta ao seu tempo. No entanto, sublinhou a singularidade do santo de Assis: “ele é um dom sobretudo porque nos reconduz ao centro da mensagem cristã, que é Jesus Cristo, à nossa configuração a Ele, que acontece através dos sacramentos. Francisco recorda precisamente a centralidade de Cristo”.
Parolin também chamou atenção para a profunda identificação de Francisco com Cristo, visível inclusive nos estigmas: “São Francisco estava tão configurado a Cristo que se tornou um alter Christus. Os estigmas são o sinal dessa transformação interior, dessa plenitude de Cristo”.
O cardeal descreveu o cenário atual como preocupante, com sinais de esperança “muito tênues”. Ainda assim, destacou onde essa esperança pode ser encontrada: “ela está nas pessoas que não se resignam, mas reagem; que não aceitam passivamente a realidade e acreditam que é possível um mundo novo”.
Segundo ele, a fé cristã oferece caminhos concretos, especialmente por meio da fraternidade: “a nossa fé pode tornar-se um grande motivo de esperança, sobretudo pelo tema da fraternidade”.
Diante de um mundo marcado por divisões, Parolin recorda que a mensagem de São Francisco, em continuidade com o Evangelho, é clara: “amar a todos, inclusive os inimigos”. Ele ressalta que é desse amor que nasce a verdadeira esperança: “um amor que se faz tudo para todos e que busca construir uma realidade de paz, serenidade e colaboração entre todos”.
Por fim, o cardeal destacou a importância de transformar o clamor das pessoas em ações concretas, inclusive no campo político: “seria importante que esse grito se transformasse em ação política, ainda que isso seja mais difícil”. Mesmo diante das dificuldades, ele conclui com uma nota de confiança: “não nos acomodemos, não nos habituemos a relações marcadas pela violência e pela opressão. Há uma esperança que vem do Evangelho”.
fonte: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2026-04/parolin-sao-francisco-nos-reconduz-ao-centro-que-e-cristo.html