
Promover a cultura da vida na nossa família e na sociedade
Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 9 anos, têm 4 filhos. São atuantes na Pastoral Familiar. Neste 34° encontro, aborto e eutanásia avançam: é preciso fortalecer a cultura da vida.
Vatican News
Olá, amigos da Rádio Vaticano. Aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa para mais um Espaço Cultura da Vida. Hoje, precisamos falar sobre dois avanços da cultura do descarte que muito nos entristeceram neste mês de agosto.
Nos Estados Unidos, no estado de Massachusetts, a governadora do estado assinou uma lei no dia 10 de agosto, que retirou os limites de idade gestacional para a prática do aborto. Até esta lei, os abortos já eram permitidos até 24 semanas de gravidez.
Importante ressaltarmos que o aborto, mesmo no início da gestação, é uma terrível violência pois elimina uma vida inocente. A retirada de critérios para permitir abortos cada vez mais tardiamente vem, portanto, como um requinte de crueldade, o qual a sociedade deve repudiar completamente.
Algo que observamos sempre quando analisamos a discussão bioética em torno de leis sobre aborto é que, frequentemente, os defensores do aborto apresentam seus objetivos aos poucos. Se o país não tem ainda o aborto legalizado de forma ampla, como ocorre no Brasil hoje, os defensores dessa prática falam apenas em liberá-lo para o primeiro trimestre da gravidez, ou seja, até 12 semanas de gestação.
Somente depois de legalizar até 12 semanas, é que irão defender o aborto até 24 semanas ou até o fim da gestação. Se fosse apresentada de repente uma proposta de liberação do aborto até 9 meses, a sociedade ficaria estarrecida.
Isso escancara a estratégia gradual de dessensibilização progressiva da sociedade, onde a cultura do descarte começa sempre com pequenos passos que possam parecer menos agressivos, e depois, aos poucos, evidencia-se a sua gravidade. Portanto, não podemos deixar de perceber que toda a relativização do direito à vida após a concepção é, sim, uma ameaça inaceitável.
Quatro dias depois, na França, assistimos o avanço da legislação permitindo a chamada morte assistida. Embora seja apresentado como eutanásia, o melhor termo para descrever essa lei não parece ser esse, devido aos seus critérios muito abertos. Estamos falando de uma lei abrangente que permite tanto a eutanásia quanto a morte assistida ou suicídio assistido.
A partir dessa lei, qualquer adulto cidadão francês ou residente, poderá administrar uma droga para colocar fim na sua vida caso se encontre com uma doença grave e incurável em estado terminal ou avançado. Perceba que doença em estado terminal é diferente de doença grave e incurável.
Doenças psicológicas sem perspectiva de cura podem entrar no critério. Assim, até mesmo condições de saúde como depressão em uma pessoa jovem podem ser enquadradas na lei. Jovens e adultos nos seus 20 ou 30 anos de idade poderiam tirar a própria vida com apoio do sistema de saúde, diante de uma condição de desespero e fragilidade que é própria da doença que enfrentam.
O que vemos nestas duas notícias tristes deste mês de agosto é que a cultura da morte, como denunciada pelo Papa São João Paulo II, avança a passos largos. Seu avanço se dá em etapas, na chamada teoria da ladeira escorregadia, que mostra que a cada vez que permitimos uma relativização do valor da vida humana, corremos o risco de cairmos mais gravemente na cultura da morte.
Tanto nos Estados Unidos quanto na França, o aborto foi liberado na década de 1970, e a desumanização progressiva criou as condições na opinião pública para debates mais avançados como estes. Assim, a banalização chega a níveis que naquela época poderiam ser impensáveis. No Brasil, ainda estamos em estágios iniciais, pois as leis sobre aborto ainda não foram totalmente derrubadas. Também a eutanásia e a morte assistida não são permitidos em lei.
Nós conseguiremos fortalecer a cultura da vida quando cada pai e mãe cumprir com dedicação o seu papel de primeiros educadores morais e espirituais dos seus filhos, quando cada catequista ensinar com coragem os mandamentos, quando cada pessoa proclamar com coragem os ensinamentos da Igreja, quando toda a sociedade defender a vida sem exceção e sem relativizações, quando todos buscarem entender e proclamar a dignidade humana incansavelmente.
São João Paulo II alertou na Encíclica Evangelium Vitae, em 1995: é preciso proclamar a cultura da vida, em oposição à cultura da morte que cresce em nossa sociedade. A mensagem de João Paulo II há mais de 30 anos mostra-se muito atual: “nos encontramos no meio de uma luta dramática entre a “cultura da morte” e a “cultura da vida”. Mas o esplendor da Cruz não fica submerso pelas trevas” (EV 50).
Um grande abraço a todos e até a próxima!