
Minha visita a Frei Dario Taffarel, em Cantá, Roraima, foi motivo de alegria e também de profunda reflexão. Fiquei feliz em encontrá-lo bem de saúde, contente e muito animado com a missão que realiza. É bonito perceber como, mesmo diante de tantos desafios, ele continua vivendo sua vocação franciscana com fé, simplicidade e dedicação ao povo.
Atualmente, ele trabalha e faz fraternidade com Frei Atílio Battistuz, da Província da Imaculada Conceição, e estão a serviço de Dom Evaristo Pascoal Splenger, bispo da Diocese de Boa Vista, RR.
Pude constatar que Frei Dario leva uma vida muito simples e austera, procurando fazer do seu cotidiano um testemunho da espiritualidade franciscana. Ao lado das pessoas simples desta cidade, realiza um belo trabalho de evangelização, procurando anunciar o Evangelho não apenas com palavras, mas sobretudo com a própria vida, pela proximidade, pela fraternidade e pela presença junto ao povo.
A realidade desta região é feita de desafios humanos e pastorais muito exigentes. A situação dos migrantes venezuelanos, que deixam sua terra em busca de condições dignas de vida, é marcada por muitas dificuldades. São famílias que enfrentam a insegurança, a falta de oportunidades e a luta diária pela sobrevivência, carregando consigo não apenas as necessidades materiais, mas também as saudades, os sonhos e a esperança de recomeçar. Também os povos indígenas enfrentam desafios históricos na defesa de seus direitos, de seus territórios, de sua cultura e de suas condições de vida. São povos que trazem uma riqueza imensa de sabedoria e de relação com a terra, mas que muitas vezes precisam lutar para que sua dignidade seja respeitada.
É nesse contexto que a presença de Frei Dario, juntamente com Frei Atílio, ganha um significado ainda mais profundo. Estar junto dessas pessoas, escutar suas histórias, partilhar suas dificuldades e reconhecer sua dignidade é também uma maneira concreta de anunciar o Evangelho. A missão não se realiza de longe, mas caminhando com o povo, especialmente com aqueles cuja voz nem sempre é ouvida e cuja luta pela sobrevivência exige tanto de cada dia. E, por isso, a missão nesta região se torna bastante desafiadora. A falta de pessoas para colaborar no trabalho pastoral torna ainda mais exigente a tarefa de evangelizar. São muitos os desafios e poucas as mãos disponíveis para ajudar. É preciso muita fé, generosidade e perseverança para continuar semeando a Palavra de Deus em meio a essa realidade.
Ao lado de Frei Atílio, Frei Dario procura testemunhar com perseverança a presença e a alegria franciscanas nestas terras de missão e na Diocese de Boa Vista. Os dois frades procuram ser presença de fraternidade, acolhida e esperança junto às comunidades, aos migrantes venezuelanos, aos povos indígenas e a tantas pessoas simples que lutam diariamente para viver com dignidade. A presença deles nos recorda que evangelizar é também aproximar-se das feridas humanas, reconhecer Cristo na vida dos pequenos e fazer da fraternidade uma resposta concreta às necessidades dos irmãos e irmãs.

Volto desta visita com o coração feliz pelo reencontro com Frei Dario, mas também profundamente tocado pelos desafios que ele e Frei Atílio enfrentam para evangelizar. O contato com essa realidade me ajudou a compreender que a missão exige mais do que boa vontade. A missão exige disponibilidade para sair de nossas seguranças, coragem para permanecer ao lado de quem sofre e disposição para partilhar a vida, mesmo quando os recursos são poucos e as dificuldades são grandes.
Que São Francisco de Assis continue inspirando e fortalecendo Frei Dario e Frei Atílio! Que nunca lhes faltem a alegria de servir, a coragem de perseverar e a certeza de que cada gesto de amor, cada palavra de esperança e cada presença fraterna tornam o Evangelho vivo no coração do povo!
Afinal, pude confirmar, com o testemunho dos irmãos, que ser missionário é estar vivendo com simplicidade, caminhando ao lado dos pobres e dos que sofrem, acolhendo as diferenças e testemunhando, com a própria vida, que ninguém deve enfrentar sozinho a luta pela dignidade e pela esperança.
Por fim, com o meu coração franciscano cheio de alegria, agradeço a Deus por esta oportunidade e pela acolhida maravilhosa que recebi dos Irmãos.
Franciscanamente,
Frei Rogério Viterbo, OFM
Cantá, RR, 09 de outubro de 2026.


