
Parece um escanda-lo para quem inicia a leitura desta poesia darmos o nome de Cruz de Isopor, quando na verdade, todos sabemos que cruz é um objeto pesado que fere os ombros e que dói muito. O oposto é o Isopor, que é leve, suave, de peso quase imperceptível.
E há também pessoas que fazem de uma Cruz de Isopor, uma tonelada de chumbo às costas. Há uma passagem na Bíblia em que encontramos o seguinte versículo: “Cestos pesados eu tirei de vossas mãos…”. Jesus também disse em seu Evangelho: “Vinde a mim vós que estais cansados e eu vos aliviarei”.
Na vida há cruzes por demais pesadas. Fardos que nossas forças quase não suportam. Mas de repente, é como se mãos invisíveis tirassem os pesos de nossos ombros e nos ajudassem a carregar. São Paulo já dizia aos Filipenses: “Tudo posso naquele que me fortalece”. Jesus ainda nos diz: “Meu fardo é leve e meu jugo é suave”.
Para transformar a cruz de chumbo em cruz de Isopor, é preciso curar as feridas interiores. É preciso acreditar na graça e na misericórdia de Deus. Aprender a saborear o gosto das pequenas coisas. É preciso transformar a vida, assim como faz a abelha com o material que recolhe das plantas, resultando o delicioso mel. Ou ainda ter a paciência do João de Barro que leva dias para construir o seu apartamento. Quem sabe ainda ter a persistência das formiguinhas que carregam pesos bem superiores ao seu tamanho, e nem por isso reclamam com Deus dizendo: você bem poderia ter nos dado um modo mais fácil de providenciar nosso alimento.
Coloque sua cruz aos pés da cruz de Jesus. Dela sairá uma luz e você verá ainda que o que era só dor se transformará numa Cruz de Isopor.
Frei Rinaldo Aparecido Santiago, OFM
Petrópolis (RJ) – 01/03/2020