
O Papa Leão durante o Angelus (@VATICAN MEDIA )
O Evangelho de hoje ensina-nos algo importante: a não perdermos a esperança, nem mesmo nos momentos de escuridão, quando nos sentimos impotentes perante os problemas que, apesar dos nossos esforços, nos fazem pensar que estamos a recuar em vez de avançar. Em qualquer circunstância, Jesus não nos abandona. Foi o que disse o Papa no Angelus ao meio-dia deste domingo, 9 de agosto, XIX Domingo do Tempo Comum, ao rezar a oração mariana com os fiéis peregrinos reunidos na Praça São Pedro
Raimundo de Lima – Vatican News
Quando o Mestre entra no barco, a tempestade acalma, e então brota espontaneamente do coração dos discípulos a profissão de fé: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!» Foi o que ressaltou o Santo Padre aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro ao explicar o Evangelho deste XIX Domingo do Tempo Comum, no habitual encontro dominical do Angelus. Na alocução que precedeu a oração mariana, Leão XIV ateve-se ao Evangelho do dia (Mt 14, 22-33), em que Jesus, caminhando sobre as águas do mar da Galileia, vai ter com os discípulos no meio de uma tempestade.
Após o milagre dos pães e dos peixes, ressaltou o Papa, o Mestre obriga os seus discípulos a embarcar e ir adiante para a outra margem, enquanto Ele se retira num monte, sozinho, para rezar. Longe da costa, porém, encontram-se à mercê do vento e têm dificuldade em avançar. Depois de uma experiência bem-sucedida, na qual tinham sido protagonistas de um sinal prodigioso, encontram-se agora impotentes e assustados perante a ameaça das ondas e do vento contrário.
No final da noite, Jesus vai ao encontro deles sobre as águas agitadas, e, assustados, confundem-no com um fantasma. Mas Ele diz-lhes: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!»
A presença do Senhor muda tudo: Pedro chega até mesmo a dar alguns passos sobre as ondas na direção d’Ele; depois assusta-se, começa a afundar e Jesus salva-o. Quando o Mestre entra no barco, a tempestade acalma, e então brota espontaneamente do coração dos discípulos a profissão de fé: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!»
Para chegar a este ponto, prosseguiu o Pontífice, não lhes bastou assistir a um milagre, nem ter tido bom êxito diante das pessoas: tiveram de passar pela experiência da própria fraqueza, reconhecendo nela a presença de Deus. Só assim conseguiram verdadeiramente abrir os olhos e o coração à sua proximidade, reencontrando a paz mesmo no meio da tempestade.
Um dia, mais tarde, Jesus dir-lhes-á: «Se tiverdes fé e não duvidardes […], se disserdes a este monte: “Tira-te daí e lança-te ao mar”, assim acontecerá». E foi precisamente isso que eles experimentaram no lago: a paz de Cristo, que tinha estado na montanha a rezar, alcançou-os no meio da fúria das águas.
Com efeito, observou Leão XIV, este milagre ensina-nos algo importante: em primeiro lugar, a não nos vangloriarmos pelo sucesso e a nunca nos considerarmos superiores aos outros; depois, a não perdermos a esperança, nem mesmo nos momentos de escuridão, quando nos sentimos impotentes perante os problemas que, apesar dos nossos esforços, nos fazem pensar que estamos a recuar em vez de avançar.
Em qualquer circunstância, Jesus não nos abandona e, se o acolhermos humildemente no barco da nossa vida – através da oração, dos Sacramentos e da escuta da Palavra –, n’Ele encontraremos a paz, a luz e a força para o nosso caminho.
Que Maria nos ajude a viver assim, com confiante abandono em Deus, Ela que foi proclamada bem-aventurada pela sua fé, auspiciou por fim o Santo Padre.