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Notícias › 23/09/2026

Os 800 anos da morte de São Francisco celebrados na Catedral de Awali, Bahrein

O Papa Leão XIV proclamou para 2026 um Ano Jubilar especial pelos 800 anos da morte de São Francisco de Assis. Na Catedral de Nossa Senhora da Arábia, em Awali, evento reuniu músicos, cantores e representantes de diferentes tradições religiosas e países para celebrar os 800 anos da morte do santo de Assis

Vatican News

A música como linguagem da fé, a memória de São Francisco de Assis como espaço de encontro e o diálogo como caminho para a construção da paz. Esses foram os principais eixos do evento “São Francisco 800 – Uma viagem musical de fé”, realizado na Catedral de Nossa Senhora da Arábia, em Awali, no Reino do Bahrein, por ocasião dos 800 anos da morte do santo de Assis.

Promovida pelo Vicariato Apostólico da Arábia do Norte, a iniciativa combinou música, narrativa e participação comunitária para percorrer a vida e o itinerário espiritual de São Francisco. A apresentação contou com 21 músicos, mais de 42 cantores adultos e 17 crianças, em uma celebração que reuniu a comunidade católica e convidados de diferentes origens culturais e religiosas.

“Foi um evento belíssimo, um momento para recordar na história do Vicariato da Arábia do Norte”, afirmou à Agência Fides o padre Marcus Fernandes, OFM Cap., idealizador e responsável pelo programa. O sacerdote agradeceu também às pessoas que trabalharam nos bastidores e à comunidade que participou das numerosas horas de preparação, ensaios e trabalho conjunto.

São Francisco, homem de Deus e irmão de todos

 

Na abertura da noite, o vigário apostólico da Arábia do Norte, bispo Aldo Berardi, O.SS.T., destacou o profundo amor de São Francisco por Deus e seu desejo de oferecer toda a sua existência ao louvor e ao serviço do Senhor.

O bispo também recordou o significado do Trânsito de São Francisco, expressão tradicionalmente utilizada para designar o momento em que o santo, no fim de sua vida, entrega sua existência definitivamente a Deus. A referência ajudou a situar a celebração não apenas como uma homenagem histórica, mas como uma reflexão sobre uma vida marcada pela fé, pela fraternidade e pela entrega.

A figura de Francisco foi apresentada ainda pelo padre Michael Fernandes, OFM Cap., Custódio da Custódia dos Capuchinhos da Arábia. O religioso ressaltou a capacidade do santo de reconhecer a presença de Deus na criação e em cada pessoa.

Para além dos limites da família franciscana, explicou, continuam atuais a simplicidade de vida escolhida por Francisco e seu cuidado com a criação. Sua mensagem permanece capaz de falar a diferentes culturas e gerações justamente porque coloca no centro a relação com Deus, a fraternidade e o respeito pelo outro.

Uma celebração internacional e intercultural

 

A iniciativa assumiu uma dimensão particularmente significativa pela diversidade dos participantes. Estiveram presentes representantes do mundo diplomático e cultural do Bahrein, entre eles uma delegação do King Hamad Global Centre for Peaceful Coexistence, além dos embaixadores da República da Coreia, Itália, Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Filipinas e Sri Lanka.

Também participaram representantes de outras comunidades cristãs, entre elas a Igreja Anglicana e a Igreja Ortodoxa Indiana.

Ao saudar os convidados, o bispo Berardi expressou gratidão ao rei do Bahrein pela hospitalidade oferecida, pedindo ao doutor Shaikh Abdulla bin Ahmed Al Khalifa, presidente do King Hamad Global Centre for Coexistence and Tolerance, que transmitisse ao monarca seus agradecimentos, orações e votos de felicidades.

A presença de representantes de diferentes países e tradições cristãs reforçou o caráter intercultural da celebração. A música tornou-se, assim, uma linguagem comum capaz de reunir pessoas provenientes de contextos distintos em torno da memória de um santo cuja mensagem ultrapassou as fronteiras de sua época.

“A paz é preciosa e frágil”

 

Em sua intervenção, o bispo Berardi colocou a paz no centro da reflexão. “A paz é preciosa e frágil; ela é protegida pela misericórdia, pelo diálogo pacífico e pelo cuidado recíproco”, afirmou diante dos convidados.

As palavras do vigário apostólico prepararam a reflexão do doutor Shaikh Abdulla sobre a importância do diálogo a partir da figura de São Francisco. O representante do centro dedicado à coexistência pacífica recordou o histórico encontro ocorrido no Egito entre Francisco de Assis e o sultão al-Malik al-Kamil.

O encontro aconteceu em um contexto marcado pela guerra e pelas divisões entre cristãos e muçulmanos. A experiência dos dois homens, pertencentes a tradições religiosas diferentes, foi apresentada como exemplo de uma possibilidade de aproximação baseada no respeito e na abertura.

“O diálogo requer coragem”, ressaltou Shaikh Abdulla, destacando a necessidade de abertura, compreensão e disposição para o encontro mesmo quando existem diferenças profundas.

A referência ao encontro entre Francisco e o sultão adquiriu particular significado no contexto do Bahrein, país que procura apresentar a convivência e a tolerância religiosa como elementos de sua identidade pública. Nesse cenário, a memória de São Francisco tornou-se uma oportunidade concreta para refletir sobre como pessoas de diferentes tradições podem encontrar caminhos de aproximação.

Da memória à missão

 

A celebração dos 800 anos da morte de São Francisco, portanto, foi além de uma simples comemoração. Em Awali, a música e a narrativa foram utilizadas para recuperar uma espiritualidade que permanece atual: a centralidade de Deus, a fraternidade universal, a simplicidade, o cuidado com a criação e a abertura ao encontro.

O evento também mostrou como a memória de uma figura religiosa pode transformar-se em espaço de diálogo entre culturas. Em uma região marcada pela diversidade religiosa e cultural, a vida de Francisco foi apresentada como testemunho de que o encontro com o outro pode ser vivido sem abandonar a própria identidade.

Ao final da noite, o padre Marcus Fernandes resumiu o sentimento de toda a comunidade: “Hoje realizamos algo belo”. A frase fazia referência ao esforço coletivo que tornou possível a apresentação, mas também expressava o significado mais profundo da iniciativa.

No coração do Bahrein, São Francisco 800” tornou-se uma celebração em que fé, arte e diálogo se encontraram. O santo de Assis, lembrado oito séculos depois de sua morte, continua sendo apresentado como um homem cuja relação com Deus o levou ao encontro dos outros, à fraternidade com toda a criação e à busca da paz. A sua memória, assim, permanece não apenas como patrimônio espiritual, mas como um convite atual à construção de pontes entre pessoas, culturas e religiões.

*Com informações de Agência Fides

fonte: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2026-09/bahrein-catedral-awali-800-anos-sao-francisco-musica-fraternidad.html

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