“Não devemos ter vergonha de chorar; é uma forma de expressar a nossa tristeza e a necessidade de um mundo novo; é uma linguagem que fala da nossa humanidade fraca e colocada à prova, mas chamada à alegria.”

Vigília de Oração durante o Jubileu da Consolação (@VATICAN MEDIA)
Onde a dor é profunda, ainda mais forte deve ser a esperança
Citando Santo Agostinho, que se pergunta a propósito da origem do mal, sua raiz, sua semente, o Papa ressaltou que “a passagem das perguntas à fé é aquilo que a Sagrada Escritura nos ensina.
Com efeito, há perguntas que nos debruçam sobre nós mesmos, nos dividem interiormente e nos separam da realidade. Há pensamentos dos quais nada pode nascer. Se nos isolam e nos desesperam, também humilham a inteligência”.
“Onde existe o mal, aí devemos procurar o conforto e a consolação que o vencem e não lhe dão trégua. Na Igreja, isso significa que nunca o fazemos sozinhos.”
Apoiar a cabeça num ombro que te consola, que chora contigo e te dá força, é um remédio do qual ninguém pode prescindir, porque é sinal de amor. Onde a dor é profunda, ainda mais forte deve ser a esperança que nasce da comunhão. E esta esperança não engana.
A dor não deve gerar violência
A propósito dos testemunhos ouvidos durante a vigília, Leão XIV ressaltou que eles “transmitem esta certeza: que a dor não deve gerar violência; que a violência não é a última palavra, porque é vencida pelo amor que sabe perdoar .
“A violência sofrida não pode ser apagada, mas o perdão concedido àqueles que a geraram é, na terra, uma antecipação do Reino de Deus, é o fruto da sua ação que põe fim ao mal e estabelece a justiça.”
A redenção é misericórdia e pode tornar melhor o nosso futuro, enquanto ainda aguardamos o regresso do Senhor”.

Vigília de Oração do Jubileu da Consolação (@Vatican Media)
Proteger com ternura os mais frágeis
A seguir, o Pontífice recordou aqueles que sofreram “a injustiça e a violência do abuso“, e disse que “a Igreja, da qual alguns membros infelizmente vos feriram, hoje ajoelha-se convosco diante da Mãe“.
“Que todos possamos aprender dela a proteger com ternura os mais frágeis e pequenos! Que aprendamos a ouvir as vossas feridas, a caminhar juntos.”
Que possamos receber de Nossa Senhora das Dores a força para reconhecer que a vida não é definida apenas pelo mal sofrido, mas pelo amor de Deus que nunca nos abandona e que guia toda a Igreja.
Recordando as palavras de São Paulo sobre o consolo na tribulação, o Papa lembrou que “quando recebemos consolação de Deus, tornamo-nos capazes de oferecer consolação também aos outros”. “Os segredos do nosso coração não estão escondidos aos olhos de Deus: não devemos impedi-lo de nos consolar, iludindo-nos de que podemos contar apenas com as nossas forças”, frisou.
No final da Vigília, cada participante recebeu um pequeno presente: o Agnus Dei. O Papa disse que esta medalha “é um sinal que poderemos levar para nossas casas para lembrar que o mistério de Jesus, da sua morte e ressurreição, é a vitória do bem sobre o mal. Ele é o Cordeiro que nos dá o Espírito Santo Consolador, que nunca nos abandona, que nos conforta nas necessidades e que nos fortalece com a sua graça”.

Vigília de Oração do Jubileu da Consolação (@Vatican Media)
Mostrar que a paz é possível
Leão XVI recordou que assim “como existe a dor pessoal, também existe, nos nossos dias, a dor coletiva de populações inteiras que, esmagadas pelo peso da violência, da fome e da guerra, imploram pela paz“.
É um grito imenso, que nos compromete a rezar e a agir, para que cesse toda a violência e aqueles que sofrem possam reencontrar a serenidade; e compromete, antes de tudo, Deus, cujo coração estremece de compaixão, a vir até nós no seu Reino. A verdadeira consolação que devemos ser capazes de transmitir é mostrar que a paz é possível e que brota em cada um de nós, se não a sufocarmos. Que os responsáveis das nações escutem de modo particular o grito de tantas crianças inocentes, para lhes garantir um futuro que as proteja e console.
“No meio de tanta prepotência, temos a certeza que Deus não deixará faltar corações e mãos que levem ajuda e consolo, agentes da paz capazes de animar aqueles que estão na dor e na tristeza”, concluiu.
fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2025-09/papa-leao-xiv-vigilia-jubileu-consolacao-mostrar-paz-possivel.html