![]()
Alessandro Di Bussolo – Vatican News
“A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro” é o tema para o XXXIV Dia Mundial do Enfermo, celebrado em 11 de fevereiro próximo, festa de Nossa Senhora de Lourdes.
O tema foi divulgado, nesta sexta-feira (26/09), pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Num comunicado, o organismo ressalta que “ao se concentrar na figura evangélica do samaritano, que manifesta o amor cuidando do homem sofredor que caiu nas mãos de ladrões, busca enfatizar esse aspecto do amor ao próximo”. De fato, o amor “requer gestos concretos de proximidade, por meio dos quais assumimos o sofrimento dos outros, especialmente dos doentes, muitas vezes num contexto de fragilidade por causa da pobreza, do isolamento e da solidão”.
“Ainda hoje, Jesus Cristo, o ‘Bom Samaritano’, aproxima-se da humanidade ferida para derramar, através dos sacramentos da Igreja, o óleo da consolação e o vinho da esperança, inspirando ações e gestos de ajuda e proximidade aos que vivem em condições de fragilidade devido à doença”, ressalta o comunicado.
Esta é a “revolução do amor” invocada por Leão XIV em sua homilia na missa celebrada a 13 de julho na Pontifícia Paróquia de São Tomás de Vilanova, em Castel Gandolfo, dedicada ao protagonista de uma das parábolas “mais bonitas e evocativas” do Evangelho, que tem a compaixão no seu centro.
O mundo que parece ter abandonado a misericórdia e perdido a capacidade de deixar-se “transpassar o coração” por quem vive a dor, enfatizou o Papa, é representado pelo olhar de quem, como o sacerdote e o levita, que ao verem um homem ferido caído à beira da estrada após cair nas mãos de assaltantes, “o viram e passaram adiante”. Já o olhar de quem vê “com os olhos do coração”, “com uma empatia que nos permite entrar na situação do outro”, é o do bom samaritano, imagem de Jesus.
A humanidade, continuou o Pontífice, “ainda hoje, muitas vezes, tem que lidar com a escuridão do mal, com o sofrimento, com a pobreza, com o absurdo da morte”. Deus, no entanto, “olhou para nós com compaixão. Ele mesmo quis percorrer o nosso caminho, desceu até nós e, em Jesus, o Bom Samaritano, veio curar as nossas feridas, derramando sobre nós o óleo do seu amor e da sua misericórdia”. “Misericórdia e compaixão são as características de Deus”, enfatizou o Papa Leão, e crer nele “significa deixar-se transformar para que também nós possamos ter” um coração “que se comove, um olhar que vê e não passa adiante, duas mãos que socorrem e aliviam as feridas, os ombros fortes que carregam o peso dos necessitados”. Assim, “curados e amados por Cristo, também nós nos tornamos sinais do seu amor e da sua compaixão no mundo”.
Leão XIV também aprofundou os temas da parábola do samaritano em sua catequese na Audiência Geral de 28 de maio, onde enfatizou várias vezes que a compaixão, o cuidado amoroso com os outros e a preocupação com o próximo são expressos “por meio de gestos concretos”. O samaritano descrito pelo evangelista Lucas, explicou ele, para “simplesmente porque é um homem diante de outro homem que precisa de ajuda”. Ele comentou que “se você quer ajudar alguém, não pode pensar em manter distância; é preciso se envolver, se sujar, talvez contaminar”. É isso que o samaritano faz, “cura as feridas” do moribundo “depois de limpá-las com óleo e vinho”. Ele o leva consigo, “isto é, cuida dele, porque realmente se ajuda quando se está disposto a sentir o peso da dor do outro”, especificou o Pontífice. Depois, encontra para ele “uma pensão onde gasta dinheiro”, prometendo “voltar e possivelmente pagar novamente, porque o outro não é um pacote a ser entregue, mas alguém a ser cuidado”.
O comportamento de quem passa adiante é diferente, como o nosso, quando a correria do dia a dia nos impede de ser compassivos e acreditamos que devemos priorizar as nossas necessidades. “É justamente a pressa tão presente em nossas vidas”, lembrou o Papa Leão XIV, “que muitas vezes nos impede de sentir compaixão. Quem pensa que a própria viagem deve ser prioritária não está disposto a parar para o outro”. A parábola, concluiu o Papa, nos exorta a “interromper a nossa viagem” e a “ter compaixão”, e isso pode acontecer “quando compreendemos que o homem ferido na estrada representa cada um de nós”, de quem Jesus cuidou muitas vezes.
fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2025-09/papa-leao-xiv-tema-mensagem-xxxiv-dia-mundial-enfermo-2026.html