
Representantes da Comissão para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e membros da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) estiveram reunidos nesta terça-feira, 13 de outubro, na sede da CNBB, em Brasília (DF), para avançar na articulação de iniciativas voltadas à prevenção de abusos e ao fortalecimento das políticas de proteção de crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis na Igreja no Brasil.
Entre os principais encaminhamentos do encontro, segundo o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, está a realização de um mapeamento das necessidades dos regionais e das estruturas de proteção existentes no país. O levantamento deverá subsidiar a elaboração de um projeto formativo conjunto entre a CNBB e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), previsto para 2027.
De acordo com dom Ricardo Hoepers, a reunião representa mais uma etapa do compromisso assumido pelas duas conferências, em articulação com a Pontifícia Comissão para a Tutela de Menores, do Vaticano, de promover uma cultura de prevenção, cuidado e proteção em todas as instâncias eclesiais.
“Nós estamos num processo muito bonito de continuidade a um protocolo de intenções que foi firmado entre a CNBB e a CRB, inclusive com a presença da Pontifícia Comissão para a Tutela, que estava na última Assembleia Geral dos Bispos”, explicou.
Segundo dom Ricardo, o objetivo é fortalecer a atuação conjunta das instituições e oferecer condições para que as políticas de proteção sejam efetivamente implementadas nas diferentes realidades da Igreja.
“A nossa intenção é exatamente fortalecer os vínculos das duas conferências, tendo em vista o cuidado, a tutela e, acima de tudo, o fortalecimento, nas nossas bases, da criação de políticas de proteção”, destacou.
Durante a reunião, os participantes avaliaram os diferentes estágios de organização das estruturas de proteção existentes no território nacional. Embora algumas localidades já contem com comitês bem estruturados, outras ainda enfrentam dificuldades relacionadas às distâncias geográficas, à articulação institucional e à consolidação de políticas preventivas.
Diante desse cenário, a CNBB e a CRB pretendem desenvolver uma proposta formativa que considere as particularidades e as necessidades concretas de cada região, oferecendo apoio especialmente aos locais que apresentam maiores fragilidades.
“Nós chegamos à conclusão de que, em alguns lugares, estão muito bem desenvolvidos os comitês de proteção, mas tem muitos lugares que ainda têm suas fragilidades, até pelas distâncias, pela dificuldade de articulação”, afirmou o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers.
Dom Ricardo explicou que o primeiro passo será identificar as regiões que necessitam de maior acompanhamento. A partir das informações reunidas pelas duas conferências, será estruturado o projeto de formação para o próximo ano.
“As duas conferências agora vão se empenhar num projeto de formação para dar sustentabilidade, fortalecimento organizacional, mas, acima de tudo, fortalecimento dos vínculos nesses lugares que vão precisar de um apoio maior”, ressaltou.
Outro ponto destacado pelo secretário-geral da CNBB foi a necessidade de respeitar os diferentes níveis de desenvolvimento das políticas de proteção nas dioceses, congregações e demais organismos eclesiais.
Segundo dom Ricardo, a presença da Igreja e da vida religiosa em todo o território nacional representa uma vantagem importante para a identificação das realidades locais. Entretanto, essa capilaridade também exige estratégias formativas adaptadas às necessidades de cada região.
“Nós temos um lado positivo, que é a capilaridade. A Igreja e a vida religiosa estão em todos os lugares. Então, isso nos facilita para chegar nas bases e conhecer um pouco a realidade”, observou.
O secretário-geral explicou que algumas regiões ainda precisam iniciar a elaboração de suas políticas de proteção, enquanto outras necessitam aprofundar conhecimentos sobre legislação, organização institucional e participação da sociedade no fortalecimento das ações preventivas.
“Eu diria assim: o maior desafio é levantar a gradualidade de cada região e as necessidades reais que elas precisam. E, a partir disso, criar o nosso projeto formativo, levando aos regionais e às bases aquilo que realmente eles estão precisando”, afirmou.
A reunião desta terça-feira dá continuidade ao protocolo de intenções firmado entre a CNBB, a CRB e a Pontifícia Comissão para a Tutela de Menores, durante a Assembleia Geral dos Bispos, em abril de 2026.
A iniciativa estabeleceu um compromisso de cooperação entre as instituições para fortalecer a prevenção de abusos, a promoção de ambientes seguros e a consolidação de uma cultura de proteção no contexto eclesial brasileiro.
O projeto formativo discutido na reunião integra esse processo de articulação, com o propósito de ampliar o alcance das ações de prevenção e contribuir para o fortalecimento das estruturas responsáveis pela tutela de menores nas diferentes regiões do país.
As discussões também se inserem no caminho de fortalecimento da cultura do cuidado promovido pela Igreja no Brasil e na América Latina.
Entre as iniciativas recentes esteve o IV Encontro da Rede para a Cultura do Cuidado, realizado de 31 de agosto a 3 de setembro de 2026, na Casa Dom Luciano Mendes de Almeida, em Brasília (DF). O evento reuniu representantes e especialistas para aprofundar a reflexão sobre prevenção de abusos, proteção de pessoas vulneráveis e articulação de iniciativas voltadas à construção de ambientes eclesiais seguros.
A programação destacou a importância do trabalho em rede, da corresponsabilidade institucional e da formação permanente como elementos fundamentais para a consolidação de uma cultura de prevenção.
Entre os temas abordados estiveram também as diferentes manifestações de abuso, incluindo formas não sexuais de violência que comprometem a dignidade e a integridade das pessoas.
Dom Wellington Queiroz: “onde uma criança é protegida, aí o Evangelho se torna concreto” – CNBB
Por Larissa Carvalho | Foto: Bruno Peres
fonte: https://www.cnbb.org.br/cnbb-e-crb-avancam-na-elaboracao-de-projeto-formativo-para-fortalecer-politicas-de-protecao-na-igreja/