
Neste ano, a Igreja celebra o Ano Jubilar Franciscano. Certamente, boa parte de nós já ouviu falar sobre o legado de São Francisco de Assis ou conhece, pelo menos, um pouco da história. Mas como podemos viver bem este ano jubilar e, de modo especial, a Semana Santa que se aproxima? Uma boa maneira é observar a vida e os ensinamentos deste santo tão querido.
A espiritualidade franciscana na Semana Santa
A vida de São Francisco de Assis foi uma Quaresma, à espera da Páscoa, da ressurreição. Para ele, celebrar a Páscoa não era simplesmente celebrar uma festa, mas responder a um apelo contínuo de conversão e de confiança na providência de Deus.
Francisco ensinava que a Semana Santa não deveria ser vivenciada com espírito de luto pelos sofrimentos de Jesus; muito pelo contrário, deveria ser vista como um tempo de renovação da esperança, um tempo de verdadeira transformação interior. Ele viveu na radicalidade o mistério pascal.
Quinta-feira Santa: o serviço e a humildade
É possível contemplar, em sua vida, a Quinta-feira Santa, a ceia do serviço, onde Jesus lavou os pés dos discípulos:
“Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós. Se compreenderdes essas coisas, sereis felizes, sob condição de as praticardes” (Jo 13, 15.17).
São Francisco de Assis compreendeu bem que a felicidade está no servir e no colocar-se em último lugar. A existência humana tem um sentido provisório, e para ganhar os tesouros celestes é necessário desapegar-se dos tesouros passageiros da Terra. Sua regra de vida era o Evangelho.
Sexta-feira Santa: a união com a cruz
Ele também foi o homem da Sexta-feira Santa, o dia da Paixão. Amou tanto a Jesus Cristo, que quis unir-se ao seu Amado. Morrendo para o mundo, colocou-se, durante a vida, na condição de servo e quis reviver, em sua carne, a paixão e morte de Jesus.
São Francisco de Assis recebeu a graça de unir-se às dores da Paixão de forma ainda mais profunda, sendo o primeiro caso documentado na história da Igreja dos estigmas, as marcas das chagas de Jesus Cristo crucificado em seu corpo.
A alegria da ressurreição
A experiência desse sofrimento físico não diminuiu seu ardor nem sua fé. Muito pelo contrário, ele vivia na plenitude a perfeita alegria, que consiste em conservar a paz, independentemente dos sofrimentos à sua volta.
Ele exortava a todos a viver o desapego e buscar possuir um coração pobre para celebrar a ressurreição de Cristo como um modo de viver, conduzido pela alegria, paz e esperança.
Para ele, a ressurreição era o sinal de que a cruz e a morte nunca terão a última palavra. A última palavra é de vida: o Senhor é capaz de transformar toda dor e morte em vida nova.
O que São Francisco de Assis ensina para nós hoje?
São Francisco foi a resposta para a sociedade do seu tempo, que vivia um relaxamento dos bons costumes e do fervor religioso. Foi exemplo de santidade e perfeição cristã.
Hoje, mais do que nunca, seus ensinamentos podem nos ajudar a ser melhores cristãos. Em meio a uma sociedade doente e hipócrita, de caridade cristã enfraquecida.
A ignorância, o egoísmo e a violência social fazem parte do cotidiano, mas somos chamados, de acordo com nossas possibilidades, a imitar este santo. Animados por este Ano de São Francisco de Assis.
fonte:
Martina G. dos Santos