
A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e alguns dos cardeais brasileiros foram recebidos pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em audiência oficial na manhã da quarta-feira, 6 de agosto. A reunião teve como pauta central as tratativas sobre a celebração dos 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. A agenda, solicitada pela presidência da CNBB desde o dia 23 de julho, também foi oportunidade de os bispos manifestarem sua preocupação com o projeto de Lei do licenciamento ambiental, aprovado no final de julho, e iniciativas de cuidado com a criação, como as ações da Igreja rumo à COP30.
Da Presidência da CNBB, estiveram presentes o cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência dos Bispos; dom Paulo Jackson Nóbrega de Souza, arcebispo de Olinda e Recife (PE) e segundo vice-presidente; e dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da CNBB. Junto deles, estiveram os cardeais Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo (SP); Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus (AM); e João Braz de Aviz, arcebispo emérito de Brasília (DF). Também esteve presente dom Evaristo Pascoal Spengler, bispo de Roraima e presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil).
Os bispos apresentaram ao presidente Lula o convite para participar da celebração do Bicentenário do estabelecimento de relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. Está prevista uma missa solene para o dia 23 de janeiro de 2026, na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, Itália.
Espera-se para esta ocasião especial “a presença de representantes de alto nível do Governo do Brasil, da Santa Sé e da Igreja Católica no Brasil”, segundo carta do embaixador do Brasil na Santa Sé, Everto Vieira Vargas, enviada ao presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler.
Os bispos apresentaram suas preocupações com o projeto de Lei nº 2.159/2021, aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 17 de julho. Eles reforçaram o posicionamento da Conferência Episcopal e de organismos eclesiais divulgado em nota, nas últimas semanas, de que o projeto “representa um grave retrocesso na política ambiental brasileira”.
A nova redação proposta pelo projeto de lei da Câmara dos Deputados é “ainda mais frágil que a aprovada no Senado”, segundo os organismos eclesiais: “desestrutura princípios consolidados de proteção ambiental, enfraquece o licenciamento, fragiliza o controle público e ameaça os territórios, as águas, as florestas e a vida”.
O projeto, denunciaram as organizações católicas, “tem impactos severos como a redução de avaliação prévia de empreendimentos com o potencial de causar danos irreversíveis. Também enfraquece as normas em áreas sensíveis como a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado”.
O texto completo está disponível aqui.
A preocupação da Igreja Católica é manifestada em âmbito local e mundial. O Papa Leão XIV, em continuidade com seus predecessores, tem reforçado a missão da humanidade em cuidar a criação, como algo confiado por Deus a seu povo. “Nós ouvimos o clamor da terra, nós ouvimos o clamor dos pobres porque esse clamor chegou ao coração de Deus”, afirmou recentemente na Missa pelo cuidado da criação.
No dia 9 de julho, o Santo Padre utilizou, pela primeira vez, o novo formulário litúrgico “Pela Proteção da Criação”. O texto, apresentado em 3 de julho pelo cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, insere-se no compromisso da Igreja de viver a conversão ecológica de forma concreta e celebrativa, por meio de orações e leituras bíblicas específicas.
Na ocasião, o Papa disse que “inúmeros desastres naturais que ainda vemos no mundo quase todos os dias em muitos lugares e em muitos países, são em parte causados pelos excessos do ser humano, com o seu estilo de vida”.
Por Luiz Lopes com foto de Ricardo Stuckert fonte: https://www.cnbb.org.br/presidencia-cnbb-visita-presidente-lula-200-anos-dialogo-santa-se-brasil/